Nessa quarta-feira que recém passou (dia 6 de maio), um dos maiores meio-campistas do passado do futebol acreano completou idade nova. Falo do cidadão Carlos Roberto de Lima Araújo, mais conhecido como Carlinhos Bonamigo, nascido no já longínquo ano de 1955, em Rio Branco-AC.
Sujeito toda a vida de refinada técnica, do tipo que a bola se submetia dócil às suas ordens, Carlinhos chamou a atenção para o seu futebol numa pelada jogada num campinho de grama rala, que ficava em frente à Catedral de Nossa Senhora de Nazaré (ao lado do Tribunal de Justiça do Acre).
Quem o descobriu foi o então goleiro do Independência Illimani Suares. Isso no segundo semestre de 1972. O garoto Carlinhos, então com 17 anos, se apresentou no estádio de treinos do Tricolor de Aço e pouco tempo depois já estava jogando no meio dos caras mais experientes.
Numa fotografia de 1973, por exemplo, se pode vê-lo posando no time do Independência ao lado de gente do porte de, entre outros, Melquíades, Jorge Floresta, Deca, Flávio, Chico Alab, Eró, Otávio, Pitéo, Zé Augusto, Lelê, Euzébio, Bico-Bico, Ruy Macaco, Bebé, Mundoca e Júlio César.
Foi pouco mais de um ano no Independência nesse início de carreira. Em 1974, ele precisou prestar o serviço militar. E aí veio uma espécie de reconhecimento além fronteiras. É que, ao participar de uma Olimpíada do Exército, ele foi um dos escolhidos para a seleção brasileira da categoria.
No ano seguinte, 1975, foi a vez de ele defender as cores do Atlético Clube Juventus, onde permaneceu até 1982. E foi por essa época que ele fez parte de um “tripé de meia cancha” (expressão usada pelo falecido treinador Alicio Santos) antológico, junto aos também supercraques Emílson e Dadão.
Depois disso, até 1988, último ano do regime amador do futebol acreano, Carlinhos defendeu ainda o Atlético, o Independência (onde tudo começou) e o próprio Juventus. Em todos, conquistando troféus e, mais do que isso, levando ao delírio os torcedores das suas respectivas equipes.
Mas, apesar de todo o sucesso, teve um momento em que, por assim dizer, ele sabotou a própria carreira. Foi em 1978, quando passou um período de treinos entre os profissionais do Fortaleza-CE. Quando estava tudo pronto para a assinatura do contrato, ele resolveu arrumar a mala e voltar pra casa.
Jogando sempre de cabeça erguida, com potência no arremate, drible fácil e antevisão do lance, eu diria que Carlinhos Bonamigo, filho do também jogador e treinador Roberto Araújo, foi um desses craques imprescindíveis do futebol acreano. Quem viu sabe muito bem do que eu estou falando!