No capítulo anterior da série “Memórias das Copas”, lançada pela coluna Na Marca da Cal, o leitor teve a oportunidade de conhecer fatos importantes como a “Batalha de Berna” e o histórico primeiro título da seleção brasileira, com Pelé & companhia. Neste 5º capítulo da série, será a vez de brilhar a figura de Mané Garrincha.
Com show de Garrincha, o Brasil conquistou o bicampeonato no Chile
A Copa do Mundo FIFA de 1962 ocorreu de 30 de maio a 17 de junho, sediada no Chile. Dezesseis seleções nacionais se classificaram, sendo 10 delas europeias (União Soviética, Iugoslávia, Alemanha Ocidental, Itália, Suíça, Tchecoslováquia, Espanha, Hungria, Inglaterra e Bulgária) e 6 americanas (Chile, Brasil, Uruguai, Argentina, Colômbia e México). Na decisão, o Brasil venceu a Tchecoslováquia por 3 a 1.
As seleções da Bulgária e da Colômbia faziam sua primeira participação na competição. A edição teve duas grandes goleadas — Iugoslávia 5 x 0 Colômbia e Hungria 6 x 1 Bulgária —, além do empate com o maior número de gols em Copas: União Soviética 4 x 4 Colômbia. Foi nessa partida, inclusive, que o meia-atacante colombiano Marcos Coll marcou o primeiro (e até hoje único) gol olímpico da história dos Mundiais.
Na “Copa de Garrincha”, 68 mil pessoas estiveram na final
A seleção brasileira contou com a base da Copa do Mundo de 1958. Na primeira partida do torneio, superou o México por 2 a 0. Pelé abriu o placar, mas se contundiu no segundo jogo, contra a Tchecoslováquia, não podendo continuar no campeonato. A partir deste ocorrido, muitos dizem que esta foi a “Copa de Garrincha”, considerado pela maioria como o melhor jogador do torneio e o grande responsável pela conquista brasileira, sagrando-se artilheiro da seleção ao lado de Vavá, ambos com quatro gols.

A final da Copa do Mundo FIFA de 1962 foi disputada entre a Tchecoslováquia (que havia eliminado a Iugoslávia e a Hungria) e o Brasil (que havia deixado para trás o Chile por 4 a 2 e a Inglaterra por 3 a 1). A partida foi realizada em 17 de junho, no Estádio Nacional do Chile, com um público estimado em 68.679 pessoas. Sob o apito do árbitro soviético Nikolay Latyshev, o Brasil venceu os tchecos por 3 a 1. Josef Masopust abriu o placar para a Tchecoslováquia, enquanto Amarildo, Zito e Vavá viraram o jogo e garantiram os gols brasileiros.
Garrincha é expulso, mas é liberado para a decisão contra os tchecos

Um fato curioso aconteceu na semifinal entre Brasil e Chile: o craque brasileiro Garrincha fez uma falta grave no chileno Eladio Rojas. O árbitro foi avisado e expulsou Garrincha de campo. Então, por que ele pôde participar da final contra a Tchecoslováquia?
Caberia à FIFA decidir a sorte dele, e as perspectivas não eram boas, já que a pena por agressão era de, no mínimo, um jogo de suspensão. Convocado a depor no tribunal da entidade, o árbitro Arturo Yamasaki declarou não ter visto a agressão e que a expulsão do jogador se deveu a informações passadas pelo bandeirinha, o uruguaio Esteban Marino. A FIFA, então, convocou Marino para depor, mas ele, misteriosamente, nunca apareceu.
Chile é pego de surpresa por terremoto que matou 5 mil pessoas antes da Copa

Em maio de 1960, quando os preparativos iam de vento em popa, o país foi pego de surpresa pelo sismo de Valdivia, um terremoto que registrou 9,5 pontos na escala Richter — o maior registrado na história mundial recente. O tremor deixou cinco mil mortos e 25% da população desabrigada, além de lançar dúvidas sobre a capacidade do Chile de sediar a Copa após a tragédia.
Brasil x Inglaterra teve cachorro no gramado

Nas quartas de final entre Brasil e Inglaterra, um cachorro entrou no gramado sem que ninguém percebesse. O goleiro inglês tentou retirar o animal, mas ele correu para o meio de campo. Garrincha também tentou pegá-lo, mas o cachorro deu uma “jogada de corpo” em Mané. Finalmente, o atacante inglês Jimmy Greaves conseguiu retirar o animal de campo.
Antes da Copa de 1962, a FIFA discutiu naturalização e doping
- Naturalizações: Três dias antes da Copa, a FIFA se reuniu em Santiago e endureceu as regras para a naturalização de jogadores. As medidas visavam acabar com a troca de países por parte dos atletas a partir da Copa da Inglaterra, em 1966. Exemplos clássicos incluíam Di Stéfano e Puskás, ídolos respectivamente da Argentina e da Hungria, que nessa Copa jogariam pela Espanha. Havia também o caso de Mazola, que defendeu o Brasil na Copa de 1958 e, em 1962, atuou pela Itália.
- Doping: Outra polêmica da Copa girou em torno do doping. O assunto foi levantado pelo Congresso Médico de Santiago. Di Stéfano teria dito na época que não via nenhum problema em um jogador tomar pílulas estimulantes. A declaração provocou revolta no Chile, que pediu providências à FIFA. O problema, porém, era como combater tal prática: apesar de o exame de urina já existir, ainda não havia uma lista oficial de substâncias proibidas.
Com gol polêmico, Inglaterra conquista o Mundial de 1966; Brasil cai na 1ª fase
A Copa do Mundo FIFA de 1966 ocorreu de 11 a 30 de julho, sediada na Inglaterra. Dezesseis seleções nacionais foram qualificadas para participar desta edição do campeonato, sendo 10 delas europeias (Inglaterra, Itália, Alemanha Ocidental, Hungria, Suíça, Portugal, França, União Soviética, Bulgária e Espanha), 5 americanas (Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e México) e 1 asiática (Coreia do Norte). Os africanos protestaram e não participaram, pois reivindicavam mais de uma vaga para o torneio.
As seleções da Coreia do Norte e de Portugal fizeram sua primeira participação na competição. A edição teve duas grandes goleadas, ambas aplicadas pela Alemanha Ocidental: 5 a 0 na Suíça e 4 a 0 no Uruguai. Numa final polêmica contra os alemães, os ingleses conquistaram o título.

Escolha foi para celebrar o centenário; Portugal vira revelação do Mundial
A Inglaterra foi escolhida como anfitriã pela FIFA em agosto de 1960 para celebrar o centenário da The Football Association, a mais antiga associação de futebol do mundo, fundada em 1863. Uma revelação da Copa foi a seleção de Portugal que, comandada pelo atacante Eusébio, realizou uma campanha invicta na fase de grupos.
Nas quartas de final, os portugueses bateram a Coreia do Norte em uma partida histórica: os norte-coreanos abriram 3 a 0, mas a seleção portuguesa, com quatro gols do “Pantera Negra”, virou o jogo para 5 a 3. Portugal só foi derrotado pela Inglaterra na semifinal. Na disputa pelo terceiro lugar, ainda venceram a União Soviética, equipe que se mostrara forte durante todo o campeonato. Eusébio terminou como artilheiro isolado, com 9 gols marcados.

Três décadas depois, teipe do lance mostra que a bola não ultrapassou a linha de gol

A final foi disputada pela Inglaterra (que havia eliminado Portugal e Argentina) e pela Alemanha Ocidental (que eliminara a União Soviética e o Uruguai). A partida foi realizada em 30 de julho, às 15h, no Estádio de Wembley, em Londres, com um público estimado em 98.000 pessoas.
Sob o apito do árbitro suíço Gottfried Dienst, o primeiro tempo terminou empatado em 1 a 1. Ao final dos 90 minutos, o placar era de 2 a 2. Na prorrogação, no minuto 98, Hurst marcou novamente; entretanto, seu chute bateu no travessão e quicou exatamente sobre a linha. Análises feitas três décadas depois mostraram o teipe do lance e comprovaram que a bola não ultrapassou totalmente a linha de gol.

A pífia participação brasileira e as curiosidades do Mundial de 1966
Neste grupo o Brasil, campeão da Copa anterior, acabou eliminado por Portugal e Hungria. O time brasileiro venceu apenas a Bulgária (que também seria eliminada) por 2 a 0. Numa participação ruim, o Brasil foi derrotado por húngaros e portugueses por 3 a 1, em partidas controversas apitadas por dois juízes ingleses, que decidiram ignorar a grande quantidade de faltas violentas nos brasileiros.

Curiosidades:
- Mesmo com a ausência dos africanos, estabeleceu-se mais um recorde de inscrições para as Eliminatórias, com 70 nações competindo.
- Este Mundial foi transmitido ao vivo pela televisão para 20 países europeus.
- O goleiro mexicano Antonio Carbajal quebrou um recorde nesse Mundial ao chegar à sua quinta Copa do Mundo.
- O torneio registrou uma grande zebra: a derrota e a consequente eliminação da Itália para a Coreia do Norte por 1 a 0.