AGÊNCIA FUTEBOL INTERIOR
Campinas, SP, 12 – A parte mais importante do acidentado ciclo de quatro anos até a Copa do Mundo na América do Norte começa neste sábado, 13, ao Brasil. Sob desconfiança, a seleção brasileira estreia diante do rival mais forte do Grupo C. O duelo com o Marrocos, às 19h (de Brasília), no MetLife Stadium, vai testar as credenciais do selecionado comandado por Carlo Ancelotti.
Trata-se da primeira experiência como treinador de seleção do italiano de 67 anos completados na última quarta-feira. O desafio é afinar um time que perdeu jogadores importantes por lesão e nunca convenceu a torcida, nem mesmo nesse último ano sob Ancelotti.
“Estamos convencidos de que podemos competir contra qualquer adversário. Pelo nível técnico, pela qualidade, pela experiência e pela confiança do grupo, temos absoluta convicção de que podemos enfrentar qualquer seleção”, afirmou o experiente treinador, na iminência de disputar sua primeira Copa como técnico – ele foi auxiliar da Itália em 1994.
“Ninguém tem cinco estrelas no peito”, rebateu o meio-campista Bruno Guimarães, quando questionado sobre o assunto.

“Na Inglaterra, com todos com quem falo respeitam o Brasil, a gente se sente respeitado. O Brasil vai ser sempre um dos favoritos, não significa que a gente vai ganhar, mas estamos no bolo”, adicionou ele.
ESCALAÇÃO EM DÚVIDA
Bem-humorado ao longo da semana que antecedeu o jogo, Ancelotti não abriu a escalação. As dúvidas estão nas laterais e no meio. Alex Sandro deve ser titular na lateral esquerda. Na direita, após o corte de Wesley, a disputa é mais equilibrada. Ibañez e Danilo, ambos zagueiros, são as opções para a posição.
O treinador deu sinais de que, embora goste e ache consolidado o esquema com quatro atacantes, deve tirar um deles – possivelmente Luiz Henrique – e escalar o meia Lucas Paquetá entre os titulares. Há quase um mês machucado, Neymar segue tratamento no tornozelo e está fora da estreia.
“A ideia é ter o controle da bola e controlar o momento do jogo. Não vamos ter a bola o tempo todo, porque todos os rivais, inclusive Marrocos, têm qualidade nesse aspecto”, adiantou o comandante.

A seleção pentacampeã integra o Grupo C, que também conta com Escócia e Haiti, e tem o desafio de encerrar jejum de 24 anos sem título mundial. Será a primeira vez que estreia contra um rival da África.
MARROCOS EM ALTA
O Marrocos tem ambição elevada depois da histórica campanha no Mundial do Catar, no qual foi o quarto colocado. A jornada de sucesso, que incluiu derrubar os favoritos Portugal e Espanha e só parar diante da França do astro Mbappé, e a manutenção da base credenciam os marroquinos a sonhar em ir até mais longe nesta Copa.
“Sabemos da qualidade do Brasil, mas temos o nosso valor. Nos chamam até de brasileiros da África”, declarou o lateral-direito Hakimi, a principal estrela do conjunto africano.

Única equipe fora da Europa e da América do Sul no top 30 do ranking da Fifa – está em sétimo lugar, colado no Brasil, o sexto – e o primeiro africano a ser semifinalista de uma Copa do Mundo, o Marrocos afinou seu grupo em relação ao último Mundial e ganhou o reforço do talentoso meia-atacante Brahim Díaz, do Real Madrid. Nascido na Espanha, o atleta de 26 anos escolheu defender a nação de seu pai.
Ainda assim, o ciclo teve traumas recentes, como a perda (em campo) da Copa Africana de Nações – o time foi declarado campeão posteriormente – e uma mudança importante no comando técnico.
Atual campeão mundial sub-20, título conquistado sob o comando de Mohamed Ouahbi, atual treinador da seleção principal. Nascido na Bélgica, ele foi escolhido para substituir Walid Regragui e está há apenas três meses no cargo.
O técnico de 49 anos adiantou que seu time, elogiado pelo sólido sistema defensivo, não passará todo o tempo se defendendo e disse não temer nenhum rival, incluindo o Brasil.
“O Marrocos está aqui, e já há algum tempo, não apenas hoje, para mostrar que evoluímos nesse nível e não temos medo de ninguém”, afirmou.

“Conhecemos muito bem o valor da seleção brasileira e sua história gloriosa, mas confiamos muito nas capacidades dos nossos jogadores e na sua capacidade de apresentar um desempenho à altura das ambições do futebol marroquino”, completou o treinador belga-marroquino.
Será apenas a sexta partida do treinador à frente do conjunto africano, que passou por mudanças às vésperas do início do torneio. Foram cortados por lesão Nayef Aguerd, zagueiro do Olympique de Marseille, da França, e Abde Ezzalzouli, atacante do Real Bétis, da Espanha.
O treinador chamou Marwane Saadane, do Al Fateh, da Arábia Saudita, e Amine Sbai, do Angers, da França.

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