Nativa do continente africano, a zebra, animal de pelagem preta com listras brancas (ou seria o contrário?) expandiu seus domínios e hoje pode ser encontrada em qualquer lugar, por mais remoto que seja, do planeta Terra. Não existe mais nenhum local onde uma zebra não possa estar à espreita.
E toda essa mobilidade graças a esse esporte chamado futebol, cujos placares, diferentemente de outras disputas, de vez em quando surpreendem os incautos com resultados absolutamente inesperados. Escreveu não leu, o pau comeu, como se dizia antigamente nos melhores almanaques da vida.
Agorinha mesmo, nessa Copa do Mundo que está a se desenrolar nos estádios de México, Estados Unidos e Canadá, o tal bicho de listras já deu o ar da sua graça em meia dúzia de confrontos, dois dos quais eu acho os mais inusitados de todos: Espanha 0 x 0 Cabo Verde e Portugal 1 x 1 RD Congo.
Os espanhóis, dizem uns parceiros meus que há muitos anos fixaram residência em Madrid, chegaram para essa Copa tão confiantes de que massacrariam quem passasse na sua frente que se deram até ao luxo de não convocar o seu principal atacante, um certo Dom Quixote de La Mancha.
Em vez de convocar o dito cujo para defender as cores espanholas na Copa do Mundo, preferiram despachá-lo para os arredores da cidade de Consuegra, na província de Toledo, para combater uns moinhos de vento de ideologia separatista. Dessa forma, eles perderam o seu melhor goleador.
No que diz respeito à seleção de Portugal, quem me trouxe a explicação do empate deles na primeira rodada da Copa foi o Natal Chaves, professor de História que costuma passar vários meses do ano refugiado numa Quinta de cultivo de uvas verdes, pouquinho depois do Alentejo.
Segundo o Natal, a origem do problema da seleção portuguesa com a República Democrática do Congo, na primeira rodada da Copa, foi uma briga do diplomata Marquês de Pombal com o poeta Fernando Pessoa, sobre a possibilidade da convocação (ou não) do artilheiro José Saramago.
Goleador de chute potente, do tipo de fazer gol num campo situado na Ilha da Madeira chutando de Lanzarote, Saramago não foi convocado por causa do desentendimento dos dois expoentes portugueses. Sorte nossa que, por ser preterido, Saramago acabou escrevendo um Ensaio Sobre a Cegueira.
E aí, deu no que deu. Aos africanos, bastou soltar as suas zebras em campo! O resultado disso foi que Lamine Yamal, o menino prodígio da Espanha, não acertou um mísero drible. E pelo lado de Portugal, o veterano Cristiano Ronaldo, sem enxergar a bola, passou o jogo a se olhar no telão!