Depois de conquistar a sua quarta Copa do Mundo, no caso aquela disputada no Brasil, em 2014, a seleção da Alemanha nunca mais conseguiu se equilibrar sobre as próprias pernas. Foram três eliminações precoces: em 2018, na Rússia; 2022, no Catar; e 2026, em gramados do hemisfério norte.
As vertentes que tentam explicar essa sucessão de fracassos vão se multiplicando, mas sem que até agora tenham chegado a alguma conclusão. De modo geral, as tantas teorias só servem para gerar discussões intermináveis, seja nas mesas de bar, seja nos ambientes acadêmicos.
No que mais apostam os analistas é na arrogância que supostamente se apossou da seleção germânica depois de eles sapecarem aqueles 7 a 1 no Brasil. Depois daquilo, dizem os analistas, os chucrutes passaram a acreditar que bastava soltar as suas camisas no campo que o vento faria o resto.
Diante da falta de consenso, eu tratei de proceder a minha própria investigação. Voei para a Bahia, onde os alemães se concentraram na Copa de 2014, e refiz o roteiro deles, desde que pisaram no solo da famosa Boa Terra até o dia em que foram embora. Refiz os passos deles minuciosamente.
A primeira coisa que eu procurei saber foi o que é que os caras comiam. E descobri que eles devoravam toneladas de vatapá, acarajé e moqueca. Tudo regado a pimenta braba, o que sugeriu que a correria deles em campo era causada pelo fogo que a comida causava nos seus rabos.
Outro fator supostamente decisivo para o sucesso dos alemães na Copa de 2014, de acordo com uns quantos capitães de areia que eu encontrei nas cercanias do Mercado Modelo, foi o de que os atacantes deles tiveram aulas de axé, fato que lhes garantiu deixar a cintura dura pendurada no vestiário.
O detalhe que mais influenciou, porém, ainda de acordo com os capitães de areia, para explicar os fracassos dos alemães nas copas seguintes, teria sido o calote que eles deram num pai de santo. Prometeram mundos e fundos para o homem, mas depois da vitória não cumpriram as promessas.
Apesar da nacionalidade alemã, eles escaparam “à francesa”. Fugiram levando na bagagem a taça do mundo, mas também a maldição de sete copas de azar. Mas isso de sete copas, somente se descobrirem onde o pai de santo escondeu um cururu com o nome da seleção na boca devidamente costurada.
Se os alemães não descobrirem onde o sapo está escondido, em vez de sete, serão setenta copas de azar, com as eliminações vindas pelas mãos de paraguaios, asiáticos e lunáticos em geral. Enquanto isso, eu vou é tratar de ir ali, armar minha rede para ver o sol se afogar no mar de Itapuã. Já fui!