Final da Copa 2026 será o duelo entre ex-colônia e colonizador

Ativado também o meu lado de historiador – tenho formação no curso de História da Universidade Federal do Acre (Ufac, 1991-1994) –, quero repassar à minha meia dúzia de leitores que a decisão da Copa do Mundo de 2026 vai reunir a ex-colonizadora Espanha e a sua ex-colônia Argentina, território emancipado em julho de 1816. 210 anos depois, os dois países fazem um duelo épico pela taça de campeão do mundo. O confronto ocorre neste domingo (19), a partir das 14h (horário de Rio Branco-AC), no MetLife Stadium, em Nova Jersey, Estados Unidos, pelo título da 23ª edição do Mundial.

No histórico dos confrontos entre os dois países, prevalece o equilíbrio após 14 jogos disputados: seis vitórias de cada lado e dois empates. Em Copas do Mundo, o duelo entre La Roja e a Albiceleste aconteceu apenas uma vez, pela fase de grupos de 1966, quando a Argentina venceu por 2 a 1. No último embate, em amistoso realizado em 2018, a Espanha goleou por 6 a 1.

Na busca pelo tetracampeonato mundial, os Hermanos apostam suas fichas no genial Lionel Messi. O atleta de 39 anos faz uma Copa magnífica, algo excepcional pela sua idade e pela competitividade do torneio. Por outro lado, o time espanhol conta com o destemido Lamine Yamal. O craque espanhol de apenas 19 anos é a principal aposta do time europeu para quebrar as linhas defensivas da equipe argentina.

No aspecto tático, os analistas acreditam que a seleção que conseguir ficar mais com a bola (controlar o jogo) será a campeã. Uma análise inteligente, mas não podemos nos esquecer de que o time argentino tem conseguido boas reações nos 15 minutos finais das partidas, principalmente nos jogos eliminatórios.

E ainda com aquela dor de cotovelo, eu, como assíduo leitor de inúmeros noticiários — não apenas esportivos, mas de economia e geopolítica, entre outros assuntos (alguns acham que o cronista esportivo é um profissional bitolado somente à editoria de esporte) —, fiquei sabendo que a soma dos salários do técnico argentino Lionel Scaloni e do espanhol Luis de la Fuente não chega a 50% do valor pago ao técnico da Seleção Brasileira, o italiano Carlo Ancelotti, que ganha mensalmente R$ 5 milhões. Eu, particularmente, acho que é muito dinheiro para um profissional que vive mascando chiclete e tomando decisões equivocadas na beira do gramado.

No meio da semana, por exemplo, houve uma reunião na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em que ficaram explícitos dois objetivos: blindar tanto o técnico Carlo Ancelotti quanto o presidente Samir Xaud de qualquer culpa pelo fracasso da Seleção Brasileira no Mundial de 2026. O encontro tratou principalmente das perspectivas de trabalho para a Copa do Mundo Feminina de 2027 – torneio que será realizado no Brasil – e sobre o “novo” trabalho que será implementado na seleção principal por Ancelotti. A respeito da política de melhoria na formação de jogadores, ficou estabelecido que essa temática será discutida no âmbito do grupo de trabalho sobre a base, que já está em atividade.

O certo é que o encontro serviu mesmo como escudo de proteção às gestões de Samir Xaud e de Carlo Ancelotti, após o país amargar uma de suas piores participações em Mundiais. Na minha avaliação, os dirigentes deveriam, isso sim, fazer uma análise crítica e consistente para enxergar os nossos principais erros e a necessidade de inúmeras mudanças para o bem do nosso futebol. Também entendo que as mudanças passam, primeiramente, pela base, com a necessidade de grandes investimentos associados a uma política “compartilhada” entre clubes e CBF no sentido de fortalecer a modalidade em nosso país. No entanto, ficou evidente que os dirigentes não quiseram discutir os problemas do nosso futebol, mas sim alinhar um discurso único para garantir a estabilidade política da entidade e de seus interesses.

E para finalizar o texto, enquanto milhares de brasileiros passaram a semana pós-eliminação da seleção Canarinha amargurados e ressentidos, a grande maioria dos nossos atletas foi aproveitar as férias em locais paradisíacos, gastando parte de suas fortunas — nada contra, pois estão usufruindo de seu direito e com recursos próprios. No entanto, eles deveriam, antes da curtição, pedir desculpas publicamente ao torcedor em uma grande coletiva de imprensa, em vez de terceirizar o pedido por meio de suas assessorias. Eu, assim como muitos, entendo que esse tipo de atitude serve apenas para afastar ainda mais o torcedor brasileiro de sua seleção.