Faltou gás?

Essa pancada terrível que o glorioso Botafogo de Futebol e Regatas levou do peruano Cienciano, nessa quinta-feira que recém passou, pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana de 2026, suscitou uma série de trocadilhos considerados infames (pelo menos para os botafoguenses).

Entre os mais infames que uma parte de flamenguistas, tricolores e vascaínos andam dizendo, tem um que garante que o “Fogão só levou a goleada de seis a um porque faltou gás”. Trocadilho infame, mas de pleno sentido, levando-se em conta a altitude de Cusco, onde o jogo foi realizado.

Eu já andei por aquelas bandas e garanto que não é fácil respirar naquelas alturas. Você puxa o fôlego e o ar não chega aos pulmões. Qualquer caminhada mais apressada e a gente já pensa que os bofes vão pular na calçada. Vejam que eu não disse correr. Falei em caminhada apressada.

E não há fórmula que dê jeito, para quem mora em baixas altitudes, no que se refere ao esforço dispendido numa partida de futebol. Tanto faz o time chegar poucas horas quanto alguns dias antes do confronto. Ali pelos vinte minutos de jogo, se algum indivíduo acelerar, acabou-se o que era doce.

Os nativos do lugar dizem que a gente pode se prevenir do mal das alturas se encharcando de chá de coca. No meu caso, o tal chá não fez efeito algum. Tomei litros e mais litros do dito cujo, um copo atrás do outro, e o único efeito foi o de ir repetidas vezes ao banheiro fazer o número um.

Além do mais, em se tratando de atletas, nem pensar em chegar perto desse chá. Já houve caso que deu confusão. O sujeito foi flagrado no antidoping. Jurou que não teve intenção. Ao que consta, foi inocentado. Mas deu um trabalho danado para provar que focinho de porco não era tomada.

Falando da minha experiência, o que me deixou um tanto confortável com relação aos efeitos da altitude foram dois fatores: uma cápsula denominada Soroche Pilss, vendida em qualquer farmácia lá deles, e uma planta que o pessoal de lá quebra o caule e dá para os turistas cheirarem.

Mas nada disso pode ser usado por jogadores de futebol. Tem que entrar em campo com a cara e a coragem. A questão é que nem sempre isso resolve. Foi o caso agora do Botafogo. A cara e a coragem do time, acostumadas ao ar da praia carioca, acabaram também perdendo o fôlego.

Pois então é isso. Já era para o Botafogo nessa edição da Copa Sul-Americana. Nem trazendo do além os espíritos de Garrincha, Quarentinha, Didi e Zagallo vai dar para reverter essa vantagem dos peruanos. O negócio agora é relaxar e cumprir a tabela. Isso e não esquecer de renovar o gás.