POR MANOEL FAÇANHA
O entrevistado desta sexta-feira (21), do quadro “Memórias de Boleiro”, apresentado no programa “Diário do Esporte” (TV Rio Branco/Rede Cultura – canal 8.1), foi o ex-jogador Márcio Tadeu Varela Belém, boleiro nascido no dia 8 de agosto de 1951, na cidade de Parintins, no Amazonas.
Conheça a história do personagem
Conforme matéria publicada na peça “Futebol Acreano em Revista”, escrita pelo jornalista Francisco Dandão, o volante Tadeu Belém, desde a infância, revelou o seu talento para o futebol, tal a intimidade com que tratava a bola. Assim, não foi novidade quando surgiu o convite para ingressar no Nacional, de Manaus, em 1965, onde atuava simultaneamente pelas equipes juvenis de futebol de salão e de campo.
Mas a história não ficou por aí. Ainda com idade para jogar nas divisões inferiores, Tadeu foi promovido para o time profissional do Nacional, fazendo companhia a gentes do porte de Alfredo Mostarda (zagueiro que depois fez carreira no Palmeiras), Mário Vieira (ex-Madureira – RJ), Rangel e Rolinha (grandes ídolos do futebol amazonense).
Pouco tempo depois, porém, Tadeu compreendeu que era melhor dedicar-se ao futebol de salão, modalidade em que recebia um bom dinheiro para atuar pela equipe do próprio Nacional. Nessa área, aliás, Tadeu defendeu ainda o time da Companhia Telefônica do Amazonas (Camtel), no final de 1971. Os gramados perderam momentaneamente o craque para as quadras.
Mas apenas momentaneamente. É que, encantados com as atuações daquele jovem interiorano nas quadras, a Rodoviária tratou de devolvê-lo aos gramados, incorporando-o ao seu plantel, o que ocorreu em setembro de 1972. Assim, durante um ano, Tadeu jogou no citado clube, sagrando-se campeão amazonense da Taça Estado do Amazonas e do campeonato profissional de 1973.
A vinda ao Acre
O contato com o futebol acreano aconteceu por conta de uma excursão da Rodoviária em setembro de 1973. O advogado Edmir Gadelha, então presidente do Rio Branco, não teve dúvidas de que Tadeu era o homem certo para dar a estabilidade necessária ao meio-campo do Estrelão. Convidou o jogador para ficar; este aceitou o desafio e ajudou o clube a conquistar o Copão da Amazônia de 1976.
Também após deixar o Rio Branco, no segundo semestre de 1976, o volante defendeu por quatro meses a equipe boliviana do Jorge Wilstermann, time profissional de Cochabamba. De acordo com a matéria do jornalista Francisco Dandão, por conta dessa transferência para a Bolívia, Tadeu virou destaque na revista Placar, de circulação nacional. Na época, Tadeu foi comprado pelo maior valor jamais pago por um jogador de um time acreano: 50 mil cruzeiros. Com essa quantia, dava para comprar um Volkswagen Fusca zero-quilômetro (que custava em torno de 30 mil a 45 mil cruzeiros); ou seja, os 50 mil pagavam o carro à vista e ainda sobrava troco.
Retorno e outros dois clubes acreanos na carreira
A aventura de Tadeu Belém nos Andes durou cerca de quatro meses. Isso pelo fato da mudança de diretoria e consequentemente da comissão técnica do clube boliviano. De volta ao Acre, o goleiro José Augusto, atleta que tinha influência com a diretoria do Atlético-AC, tratou de convencer o volante parintinense a vestir a camisa do Galo Carijó, onde ficou até 1981.

O terceiro e último clube acreano de que o volante Tadeu Belém vestiu a camisa foi o Independência, em 1982. No Tricolor de Aço, o volante — que recebeu de luvas uma casa no Conjunto Bela Vista e um emprego público — ficou até 1984, exercendo as funções de jogador e técnico.
Tadeu Belém, após encerrar a carreira futebolística, resolveu ficar no Acre, onde constituiu família e fez muitos amigos. O parintinense ainda teve tempo para concluir a formação superior no curso de Serviço Social, em 2012.
Hoje, aos 75 anos, Tadeu Belém ainda bate animadas peladas aos domingos no Florestinha, espaço que é concedido aos peladeiros da Associação Atlética Jumbo — associação composta por inúmeros ex-jogadores.

Veja o programa: DIÁRIO DO ESPORTE EM 21/08 2026












