Quinta-feira passada, fez dez anos que a seleção brasileira de futebol conquistou o seu primeiro ouro olímpico. Não foi uma conquista fácil. Das seis partidas, o Brasil venceu apenas a metade delas (Dinamarca, Colômbia e Honduras). Nas outras (África do Sul, Iraque e Alemanha) só empatou.
No primeiro jogo, no dia 4 de agosto de 2016, em Brasília, o empate em zero a zero contra a África do Sul deixou todo mundo com aquela pulga do ditado atrás da orelha. Ninguém esperava que o goleiro deles, um tal de Nelson Mandela, pegasse tanta bola. Nem Neymar conseguiu furar o sujeito.
Depois disso, no dia 7 do mesmo mês, igualmente em Brasília, com o Iraque na condição de adversário, mais uma vez o placar ficou em branco. Os atacantes brasileiros esbarraram na truculência de um volante de maus bofes e olhos injetados de sangue. Nome do cruz-credo: Saddam Hussein!
Aí, felizmente, a seleção deixou os ares pouco respiráveis de Brasília para trás e foi armar o seu acampamento em Salvador, terra de Caetano Veloso, Maria Bethânia, Wagner Moura, Ruy Barbosa, Jorge Amado e outros tantos orixás. Resultado da mudança de ares: 4 a 0 na seleção da Dinamarca!
Nas quartas de final e nas semifinais, jogadas respectivamente em São Paulo e no Rio de Janeiro, provavelmente ainda sob os efeitos dos bons fluídos das entidades baianas, a seleção do Brasil deitou e rolou. Meteu um clássico 2 a 0 na Colômbia e sapecou uma goleada de 6 a 0 em Honduras.
É certo que os colombianos vieram para a disputa das Olimpíadas sem o seu melhor atacante, um certo Gabriel García Márquez, àquela altura dos fatos um patriarca de olhos de cão azul, às portas de um longo outono, fadado a viver os próximos cem anos em completa solidão. Mas e daí? Azar deles!
E quanto aos hondurenhos, eles disseram que não esperavam mesmo passar pelo Brasil, uma vez que o seu cracaço, um guatemalteco naturalizado que pensava o jogo no seu meio campo, de nome Cecilio del Valle, não pode viajar, por estar redigindo a Ata da Independência da América Central.
A finalíssima, no Maracanã, contra a Alemanha, foi outra pedreira para o Brasil, que jogava com o peso de jamais haver sido campeão olímpico. Um a um no tempo normal e na prorrogação. A dupla de zaga formada por Beethoven e Karl Marx deu um trabalho danado aos atacantes brasileiros.
Felizmente, na disputa dos pênaltis, o goleiro brasileiro Weverton, sujeito nascido no Acre, descendente da nação Katukina, dos povos originários da Amazônia, que treinava defender cobranças da marca fatal de olhos vendados, não deixou a última bola alemã entrar. E o ouro aconteceu!