Cenas lamentáveis ocorreram neste domingo (30), no estádio Itaquera, após a derrota do Corinthians para o Santos por 1 a 0. Uma criança, torcedora do Timão, fez um cartaz e nele pedia a camisa do atacante Neymar. O craque santista atendeu ao pedido e entregou a peça do uniforme ao pequeno torcedor, que agradeceu e foi às lágrimas.
Na sequência, o garoto passou a ser xingado por um bando de adultos. Horas depois do ocorrido, o Blog do Juca Kfouri, do UOL, fez uma postagem criticando a atitude dos torcedores e escreveu: “…Incontinenti passa a ser xingado por um bando de adultos cafajestes em Itaquera, gente cujas imagens devem ser mostradas à exaustão para que seja exposta ao escárnio público, para que seus parentes e vizinhos vejam e possam perguntar: ‘Mas era mesmo você, João, José, Chico, Alfredo? Que feio, que vergonha!’”.
O colunista prossegue sua crônica e dispara: “Atitudes como essas revelam o tamanho do ódio disseminado pelo mundo afora”.
Kfouri segue o seu desabafo: “Atitudes que, no limite, resultam em linchamentos como se viu no Rio de Janeiro com o jovem que andava na bicicleta da irmã”.
Juca finaliza o texto com a seguinte frase: “Não é o futebol que está doente; é o país, é o mundo…”.
A repercussão do caso prosseguiu na manhã desta mesma segunda-feira. O jornalista esportivo Paulo Vinícius Coelho, o PVC — por quem tenho a maior admiração devido à sua capacidade de conhecimento histórico e análise precisa do futebol mundial —, falou do assunto no quadro Prancheta do PVC. O colunista não poupou críticas aos torcedores corintianos que xingaram a criança e ainda acabou concordando com a frase de Juca Kfouri: “Não é o futebol que está doente; é o país, é o mundo…”.
Trazendo para a nossa realidade, as finais dos campeonatos de futebol sub-11 e sub-13, por exemplo, tiveram que ser realizadas com torcidas separadas na última sexta-feira (28), no estádio Tonicão. É muito lamentável a situação a que estamos chegando. O mundo, hoje cheio de guerras, ódio e um consumo exacerbado que aquece e destrói o planeta — apesar de os negacionistas brigarem com os fatos —, precisa de uma boa dose de amor para salvar a humanidade.