Um dia desses eu publiquei uma foto dos “antigamentes” do futebol acreano numa rede social e uma internauta, ao ver a publicação, me perguntou se eu tinha notícias de duas criaturas, das quais ela dizia ter sido amiga. Perguntou pelo jogador Nino e pelo árbitro Wagner Cardoso de Lima.
Respondi-lhe que o atacante Nino, infelizmente, havia falecido em 2020, subitamente, pouco tempo depois de se aposentar do serviço público federal. E que o árbitro Wagner Cardoso de Lima, irmão do atual presidente do Juventus, Cleber Lima, depois de se aposentar foi morar em Goiânia.
Aí, como uma coisa puxa a outra, eu lembrei do apelido pelo qual era conhecido o Wagner nos seus tempos de árbitro: Esfola Gato. Não me perguntem a origem. Eu não sei dizer, nem me atrevo a perguntar. O que eu sei é que os gaiatos chamavam o Wagner assim e ele não parecia gostar.
Mas o Wagner Cardoso não era o único árbitro dos tempos do amadorismo do futebol acreano que tinha um apelido, digamos, pitoresco. Além do Wagner existiam os árbitros Barbadim, Capelão, Lepolepo e Porco Russo. Havia muitos outros, mas esses, eu diria, eram os mais famosos.
Natural de Sena Madureira, o Barbadim, cujo nome de batismo era Adônidas Feitosa, era um árbitro rigoroso e absolutamente apaixonado por futebol (e pelo Independência). Tanto que depois de aposentar passou a exercer o cargo de diretor de arbitragem da Federação Acreana de Desportos.
O Capelão, morador do bairro da Capoeira, funcionário de carreira da Caixa Econômica Federal, se chamava Antônio Moreira Gadelha Neto. Estritamente técnico ao aplicar as leis do jogo, se dizia à época que ele não podia apitar os jogos do Rio Branco, por não haver garantia de isenção.
Já o Lepolepo, Sua Senhoria Antônio Soares, cabo do Exército Brasileiro, relata-se que ele gostava de mandar um para o chuveiro mais cedo. De acordo com essa lenda, a ideia era a de que com menos jogadores em campo ficava mais fácil de conduzir a partida até a um final feliz.
O Porco Russo, registrado com o nobiliárquico nome de Adalberto Araújo, torcedor do Atlético, sua grande arma para flagrar os jogadores malandros era o seu olhar quarenta e quatro, uma vez que ele possuía um grau acentuado de estrabismo, o que o fazia olhar para um lado e ver o outro.
Sim, esqueci de dizer lá em cima. O Wagner Cardoso era torcedor roxo do Juventus. A parte ruim nisso tudo era quando esses árbitros que torciam por times diferentes eram escalados para dirigir uma mesma partida. Não raro as marcações se mostravam absolutamente divergentes. Velhos tempos!