Setembro no calendário do futebol acreano

Completei mais um ciclo ao redor do sol neste mês de setembro. Setenta para ser exato. É uma idade deveras provecta. Sou um idoso assumido. Não sou daquelas criaturas que escondem a idade. Inclusive porque as marcas do tempo são bem evidentes. Menor vigor físico etc. e tal.

Mas não é de mim que eu quero falar nesta crônica de hoje. Falei do meu aniversário somente como motivo para dizer que setembro é um mês pródigo para o futebol acreano, no que diz respeito ao nascimento de grandes personagens. Muita gente boa do futebol do Acre nasceu em setembro.

Veja-se que foi em setembro que nasceram caras como o volante Sandro (dia 3), o goleiro Klowsbey (dia 5), os meias-armadores Mariceudo (dia 7) e Neném (dia 20), os zagueiros Pompeu (dia 20) e Ceildo (dia 26) e os atacantes Julinho (dia 7), Ericson (dia 30) e Manoelzinho (dia 30).

Alguns desses craques, inclusive, mostraram a sua arte além das fronteiras acreanas. Casos do Mariceudo, que brilhou no Nacional-AM, em 1979; do Julinho, que jogou no Equador, em 1986; e do Manoelzinho, que jogou em times gaúchos, mineiros e goianos, na década de 1970.

Cada um desses caras tinha um mercado nas suas mãos (ou aos seus pés) e se não foram mais longe foi por motivos distintos. O Mariceudo, titular no time do Nacional, voltou por razões familiares. O Julinho sucumbiu a uma grave contusão no joelho. E o Manoelzinho voltou por razões financeiras.

Sim, isso mesmo, razões financeiras. A proposta do doutor Adauto Frota, então presidente do Atlético, para o Manoelzinho voltar ao futebol acreano era irrecusável. Ele, à época, era jogador profissional do goiano Anápolis. Mas o dinheiro, por baixo dos panos, no Acre era muito melhor.

Fora isso, disse-me o Manoelzinho, que por vários anos foi meu companheiro de trabalho na Universidade Federal do Acre, além do dinheiro prometido pelo dirigente atleticano, ficou combinado que ele ganharia um contrato como funcionário público. Dito e feito: o dinheiro e o emprego.

Além de todos esses, porém, eu quero deixar grafado neste texto o nome de outro grande personagem nascido no mês de setembro. O nome do professor Eduardo Almada Brito, um paraense de Óbidos, nascido no dia 28 de setembro de 1915, que migrou para o Acre no segundo semestre de 1940.

Pouco mais de uma década depois de chegar ao Acre, o professor Eduardo Almada Brito, junto de outros desportistas notáveis, fundou o Vasco da Gama. Fundou e dedicou sua existência de 83 anos a esse clube. Fez de tudo no Vasco: roupeiro, massagista, treinador e presidente. Ave, setembro!