Fraudes e outros babados

Outubro está acabando. Escrevo no último dia do mês. Um outubro molhado, como poucas vezes se viu no hemisfério sul. No Rio de Janeiro, onde pousei a minha nave espacial há bons quatro anos, quando o sol bota a cara no céu em um dia a gente já sabe que vai chover no resto da semana.

Independente, porém, da precipitação pluviométrica, o que mais chamou a atenção do mundo neste mês foi a eleição para presidente da República do Brasil. E se a imagem da chuva prevalecer, creio que se pode falar de uma enxurrada de votos para o vencedor. Enxurrada, dilúvio, por aí.

O derrotado, como todo mundo sabe, não se conformou. Esperneou até não poder mais. Esperneou e se escafedeu do mapa para, depois, em terras de cima da linha do Equador, se dizer o legítimo vencedor. O sujeito fez até uma carta para dizer algo como, “apesar dos números, quem ganhou fui eu”.

Muita gente estranhou. Teve até quem chamasse o dito cujo de Napoleão de hospício. Eu também estou entre os que acharam isso, que se trata apenas de alguém que não sabe perder. Mas eu sei que existem situações em que isso pode acontecer. Já aconteceu até comigo em três ocasiões.

Na primeira vez, eu era adolescente, estudava num colégio no interior de São Paulo, e me candidatei à presidência do grêmio estudantil. Pelas minhas contas, eu ganharia de 70 a 30 por cento nos dois turnos. A previsão se confirmou no primeiro turno. No segundo o meu adversário virou (fácil).

Na segunda vez eu me candidatei à presidência do Rio Branco-AC, concorrendo contra o advogado Edmir Gadelha. Trabalhei duro na campanha e ganhei muitas adesões, baseado na promessa de levar o Estrelão à Série A do Brasileirão. Fui às urnas confiantes. Perdi de muito. Achei estranho!

Por último fui candidato à direção máxima do Andirá-AC, concorrendo com o ex-goleiro e sambista Carlos Xepa. O meu principal cabo eleitoral era um ponteiro de nome Amenu. Ele garantia a minha vitória, com cem por cento dos votos. Minha derrota aconteceu na mesma proporção.

Depois desse último revés, os andiraenses, aborrecidos com umas críticas que eu fiz ao morcego símbolo do clube, passaram a querer dar o meu sangue para o bicho beber. Fugi para Porto Acre, onde fui recebido por certo imperador Galvez, que me garantiu proteção contra os carapanãs.

Na fuga usei um carro de bois guiado por um sujeito com soluço. Não tive problemas no percurso. Apesar de, lá pelas tantas, perder o sinal do wi-fi, uma estrela nos indicou o rumo. Perdi as três eleições, mas acho que houve fraude. E já contratei a IA para escrever uma carta me declarando vencedor!