Francisco Dandão
Quarto de uma família de cinco irmãos homens, dificilmente o rondoniense Delvanir Leonardelli, nascido no dia 22 de outubro de 1977, na cidade de Presidente Médici, não seria jogador de futebol. É que todos os seus irmãos mais velhos (Guima, Gil e Branco) eram considerados craques de bola. E depois, o irmão mais jovem, Vagner, seguiu o mesmo caminho.
Fazendo da bola o seu principal brinquedo, Delvanir chegava a fugir da escola para bater peladas, na sua cidade natal. Até que aos 14 anos, quando a família já havia se mudado para a cidade de Extrema, ele começou a jogar nos times locais, Extremão e Guarani. Aí já com o nome de Ananias, apelido dado pelo amigo Jefferson, em alusão a um personagem dos Trapalhões.
Apesar de destro, Ananias se firmou no futebol como lateral-esquerdo. Uma inversão que ele mesmo tratou de explicar. “Eu jogava na lateral-direita, mas usando a camisa número 6. Aí, no time do Colégio Agrícola, quando o professor Amarildo foi explicar a numeração de cada posição, eu disse pra ele que preferia trocar de posição do que de camisa. E aí pegou”.
O futebol profissional surgiu na vida do lateral em 1997, aos 19 anos. Integrando a seleção da Extrema, ele foi disputar um torneio em Porto Velho. O futebol de Ananias chamou a atenção de dois espectadores: o técnico do Cruzeiro, Amílcar, e o ex-árbitro Becão. Daí veio o convite para Ananias ficar na capital. O desafio foi topado e aí começou a história de um vencedor.

Primeiro contato com o Rio Branco e interesse de vários times
No primeiro semestre de 1998, Ananias foi convidado a jogar pelo Guajará, de Guajará Mirim, num amistoso contra o Rio Branco, na cidade rondoniense. Aos 38 minutos, Ananias fez o gol da vitória dos anfitriões. Aí os dirigentes do Estrelão o chamaram para fazer um teste no clube. Ele fez, mas não agradou o técnico Marcelo Altino e acabou voltando para o Guajará.
Ananias só iria começar a sua vitoriosa história com o Rio Branco anos depois, em 2002, depois de passar, sempre em alto nível, por Sinop-MT, Genus-RO, Ji-Paraná-RO e Vasco da Gama-AC. Ele chegou ao Estrelão e foi logo conquistando o título de campeão estadual, além de marcar sete gols. Foi um ano tão bom que ele recebeu até um convite para jogar no Gama-DF.
No início de 2003 Ananias já estava no Gama, fazendo parte de um elenco recheado de bons jogadores. Tanto que o time se sagrou campeão distrital sem maiores problemas. Mas a experiência durou pouco tempo. E no mês de maio deste mesmo ano, o lateral já estava outra vez no Rio Branco, onde assinou um contrato de três anos e se sagrou bicampeão estadual.
Entre 2003 e o primeiro semestre de 2006 Ananias defendeu o Estrelão. Depois, no segundo semestre, jogou pelo Ulbra-RO. Em 2007, levado pelo técnico Marquinhos Bahia, que havia treinado a Adesg, ele disputou outra vez o campeonato candango, agora pelo Ceilândia. Voltou para o Rio Branco em 2008, onde ficou até pendurar as chuteiras, em 2013.
Alegrias, tristezas e personagens em destaque
Ananias não quis eleger um único momento de alegria enquanto jogador de futebol. Para ele, ganhar títulos sempre o deixou muito feliz. “Mas as grandes alegrias foram as amizades que eu conquistei e os muitos admiradores que eu angariei”, falou. E quanto à tristeza, ele disse que não guarda mágoa de ninguém. “Ganhei e perdi quando mereci”, explicou.
Quanto à escolha de uma seleção do futebol acreano, ele escalou o seguinte time: Ronaldo; Ley, Rodrigão, Dudu e Ananias; Zé Marco, Ismael e Testinha; Doka Madureira, Juliano César e Marcelo Brás. Como melhor dirigente, ele citou Natal Xavier. E no quesito melhor árbitro, Ananias citou cinco nomes: “Ronne Casas, Café, Neuricláudio, Pinheiro e Mario Jorge”.

Quando lhe foi pedido que dissesse qual o melhor técnico com o qual havia trabalhado, Ananias não se sentiu à vontade para escolher um único profissional. E aí tratou de citar cinco professores, ressaltando as qualidades de cada um. A lista dele ficou, então, composta dos seguintes nomes: João Carlos Cavallo, Thiago Nunes, Tarcísio Pugliese, Everton Goiano e Papelim.
Morando hoje na cidade de Extrema-RO, Ananias garantiu que nos seus planos de futuro (e presente) consta a luta diária para ajudar garotos que pretendam ser jogadores de futebol, servindo-lhes de espelho e fonte de inspiração. “E, se possível, profissionalizar uma equipe da ponta do Abunã, abrindo um novo horizonte para a geração que está surgindo”, finalizou.
