O almirante português Vasco da Gama, que depois virou nome de time de futebol no Brasil, foi o primeiro europeu a chegar às Índias (parte do sul e sudeste asiático) por via marítima. Isso em 1498. Para tal fim, ele teve que contornar o continente africano, numa rota plena de perigos. Aventura épica!
Antes de Vasco da Gama, outro europeu tentou a façanha. No caso, um genovês de nome Cristóvão Colombo. Mas este tentou uma rota diferente. A ideia do italiano era chegar às Índias navegando para o Ocidente. Errou o cálculo e acabou, por vias transversas, descobrindo a América.
Essa obsessão para chegar às Índias tinha uma explicação. Era de lá que vinham as especiarias e os artigos de luxo, objetos de consumo dos europeus. Os objetos de luxo não demandam maiores explicações. E as especiarias eram fundamentais para prover uma alimentação de qualidade.
Séculos depois tudo mudou. Não existe mais a necessidade de navegar para um lado ou outro, nem para o Ocidente nem para o fim do continente africano. Muito menos existe a necessidade de bússolas ou astrolábios. A viagem agora é pelo ar e a orientação para o percurso vem dos satélites.
Dessa forma, a seleção brasileira de futebol chegou facilmente à Índia para um primeiro jogo contra a representação lá deles. Chegou, viu e venceu, tal e qual dizia aquele antigo imperador romano. Foi uma vitória clássica. Quatro a zero. Placar construído em ritmo de treino, sob um calor absurdo.
Algumas horas de voo e pronto. Lá estavam os jovens da seleção do Brasil em Calcutá, cidade mística, palco de muitas histórias ao longo do tempo. Lugar por onde passou toda a espécie de aventureiros, em busca do segredo que faz os caras cultuarem e manterem as vacas bem longe do brejo.
Houve quem gostasse e quem não gostasse da exibição do Brasil. O argumento dos que não gostaram fala da fragilidade do adversário, que jamais foi a uma Copa do Mundo e figura num lugar bem modesto no ranking da Fifa. Os que gostaram afirmam que se tratava apenas de um treino.
Eu sou do time dos que gostaram, levando em conta que se trata do início de um novo ciclo para a seleção, com a realização de muitos testes. O que importa nesse momento, de acordo com a minha opinião, é a observação das caras novas na seleção. De como os novos jogadores estão reagindo.
É isso. Não adianta querer botar o carro na frente dos bois. Quando o carro é colocado na frente dos bois, a tendência é caminhar para trás. E de ré creio que ninguém quer andar. Pra frente é que se anda. Pra frente e com fé. Com fé em Deus e, no caso do futebol, também com fé no pé. Ou não?