Flamengo precisa trocar euforia por racionalidade

A maior questão de 2020 no futebol brasileiro é saber se o Flamengo segue com a hegemonia ocorrida ano passado. A desorganização, o amadorismo e o deslumbramento típico do esporte nacional criam dúvidas da manutenção da supremacia.

Já havia comentado esse assunto e acho que o maior desafio rubro-negro, além de segurar a espinha dorsal do time (Gabigol não faz parte disso, na minha opinião) campeão da Libertadores do ano passado e trazer alguns jogadores para garantir o domínio por mais um ano, será criar condições fora e dentro de campo para derrotar o padrão Brasil do futebol.

Está claro que o time chegou cansado no final do ano e prejudicou tanto o desempenho na decisão contra o River como diante do Liverpool. O calendário é massacrante, mesmo tendo um plantel altamente eficiente.

Foi muito difícil se manter vivo para disputar títulos no segundo semestre da maior relevância. Brasileirão de pontos corridos, onde se viaja longas distâncias em pouco tempo várias vezes, é massacrante.

A Libertadores, sempre apresentando dificuldades nos seus jogos fora, parte pela falta de infraestrutura para o visitante, é ingrediente a mais nesse torneio mais precário do que os similares europeus.

Ainda assim o time da Gávea foi campeão na mesma temporada de ambos. Uma raridade por aqui.

Mas achei o oba-oba muito desproporcional depois que o rubro-negro voltou do Chile com a taça do continente embaixo do braço. Foi impressionante, num país carente de ídolos e vitórias de expressão no esporte internacional.

Ali cabia um recolhimento, uma concentração, um desfecho menos televiso e mais pé no chão do que vinha pela frente tanto no final de 2019 e à realidade para 2020.

A equipe devia ter se preservado. Faltou uma ordem, um comando sensato para mostrar que a jornada não tinha acabado.

É preciso de um freio quando a turma voltar a treinar nesse início de ano. Não achem que vão dar de braçada. Os resultados mostraram que pode existir hegemonia dentro do país, mas fora dele esse cenário me parece longe por vários aspectos.

O futebol brasileiro é amador enquanto estrutura empresarial. O rubro-negro sofre com isso também. Seus dirigentes deram demonstração de baixa racionalidade profissional, principalmente pós-título da Libertadores.

Quanto aos jogadores, precisam amadurecer. Há clara necessidade de consolidação de projeto.

Um ano só não faz verão, apesar de tudo que mostraram. É preciso vencer a força do tempo.