O gol anulado do meia-atacante Mostafa “Zico”, do Egito, contra a Argentina — na derrota por 3 a 2 em jogo válido pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 —, pelo árbitro francês François Letexier e seus assistentes, segue repercutindo. A Federação de Futebol do Egito, por meio de seu presidente, Hany Abo Rida, enviou uma queixa à Fifa sobre a atuação da equipe de arbitragem.
Os egípcios exigiram uma investigação sobre toda a equipe de arbitragem, incluindo os árbitros de vídeo que, segundo a entidade africana, teriam prejudicado sua seleção. Os “faraós” exigem ainda a exclusão do árbitro e de toda a equipe da Copa do Mundo após a conclusão das investigações.
O lance é polêmico e as opiniões estão bastante divididas entre os analistas de arbitragem. A discussão central entre os especialistas gira em torno de duas frentes: a legitimidade da falta em si e a interferência do VAR (Árbitro de Vídeo) em uma jogada iniciada muito tempo antes e a uma longa distância do gol.
Críticos à intervenção do VAR
Para muitos analistas, o VAR extrapolou sua função original ao buscar uma infração microscópica ocorrida longe da conclusão da jogada.
- Carlos Eugênio Simon (ex-árbitro e comentarista da ESPN): Questionou a decisão e afirmou que a falta na origem da jogada era discutível. Ele defendeu que o VAR só deveria entrar em cena para erros claros e óbvios, e que a distância e o tempo entre o desarme e o gol não justificavam a anulação.
- Arnaldo Ribeiro (comentarista do Canal UOL): Avaliou que a anulação fere a essência do futebol. Segundo ele, retroceder a fita até um ponto tão distante tirou a espontaneidade do esporte.
- Ex-jogadores e comentaristas internacionais (como Rob Green, Ian Wright e Alan Shearer): Expressaram frustração semelhante, ressaltando que a falta ocorreu a quase 100 metros de distância e que o esporte tem se tornado excessivamente forense.
Defensores da anulação
Por outro lado, analistas de arbitragem apontam que, conforme a regra, qualquer infração na mesma fase de ataque (APP – Attacking Phase of Play) que resulte em gol deve ser invalidada.
- Ana Paula Oliveira (comentarista de arbitragem do Canal UOL): Defendeu a decisão, classificando a revisão e a marcação da infração como corretas, e afirmando que a regra foi aplicada adequadamente.
- PC Oliveira (consultor de arbitragem da Globo): Concordou com a anulação. O ex-árbitro avaliou que houve, de fato, falta na roubada de bola e que a intervenção do VAR foi correta.
- Renata Ruel (ESPN): Teve uma visão intermediária; embora tenha reconhecido que havia a infração, criticou a forma como a revisão foi conduzida.
Análise do canal Fox Sports
O canal Fox Sports explicou a regra da FIFA sobre a fase de construção do ataque (APP) e a comparou com a anulação do gol do Egito:
- A distância
- A regra: Quanto maior a distância do gol, menor é a justificativa para a intervenção do VAR.
- Caso do Egito: A falta ocorreu a 80 metros; uma distância enorme que torna o retorno à jogada legalmente injustificável.
- Tipo de erro
- A regra: Quanto maior a distância do gol, maior e mais claro deve ser o erro para cancelar o gol.
- Caso do Egito: O contato foi fraco e insignificante no meio de campo, não justificando a intervenção tecnológica.
- Direção do jogo
- A regra: O VAR deve intervir em ataques diretos, frontais e rápidos (como contragolpes surpresa).
- Caso do Egito: O ataque não foi um contragolpe repentino, mas sim construído de forma organizada, com múltiplas trocas de passes até chegar à rede.
- Posse e controle
- A regra: Exige-se o controle total e contínuo da bola desde o momento do erro até o gol.
- Caso do Egito: O ataque envolveu uma troca natural de posse por meio de passes sucessivos antes da jogada final.
- Organização defensiva
- A regra: Se a defesa adversária estiver estável, organizada e com chance de impedir o gol, o erro antigo perde o valor.
- Caso do Egito: No momento do gol, a defesa argentina estava completamente posicionada em seus devidos lugares, não estando desorganizada ou afetada pelo erro distante.