Penso que todo mundo (ou quase) já viveu pelo menos um episódio na vida de intoxicação alimentar. Às vezes, não há como identificar que o alimento a ser ingerido está estragado: não existe resquício de mau cheiro, visualmente tudo parece perfeito e até o sabor se apresenta muito aprazível.
Nessa condição, uma pessoa só vai saber que comeu o que não devia algum tempo depois, no momento em que sobrevém uma dor insuportável na região do estômago e torna-se urgente uma corrida até o banheiro mais próximo. E aí sucedem-se horas de intensa agonia. Um verdadeiro suplício!
Eu já passei por isso várias vezes. Uma delas quando batia pernas por Lisboa, em janeiro de 2011. Não tenho certeza até hoje do que pode ter causado a minha infecção intestinal naquela oportunidade. Minhas suspeitas, mas sem nenhuma prova, é de que foi um queijo ingerido num show de fado.
Perdi dois dias daquele meu giro pelo Velho Mundo. Por sorte, tive tempo de me recuperar (mais ou menos) para fazer a travessia do Atlântico, rumo à República das Bananas. No voo de volta, tive que dispensar, compungido, a posta de bacalhau e o vinho real servido à bordo do avião.
Uns anos antes, em março de 2004, eu não tive tanta sorte. Comi algo errado na última noite do “30º Congresso da Associação Brasileira de Cronistas Esportivos”, realizado em João Pessoa. Acordei na madrugada com dores infernais no abdômen. E eu tinha que viajar na manhã próxima.
Nesse congresso, eu dividia um quarto com o meu afilhado Manoel Façanha. Quando acordei passando mal e me dirigi ao banheiro, o Façanha já estava trancado lá dentro, em condições deploráveis. Para não fazer o número dois na cueca, corri para o banheiro do terraço, na área da piscina.
Eu e o Façanha tomamos todos os comprimidos de Floratil que encontrei na minha mochila. Mas isso não nos impediu de passar a noite sentados no trono. No dia seguinte, estávamos quebrados. Tivemos que encarar a viagem para casa sofrendo. Só melhoramos, uma semana depois.
Contei essas duas historinhas, nas quais fui protagonista involuntário, para imaginar o que os jogadores do Rio Branco passaram nessa viagem ao interior do Pará, para o jogo contra o Bragantino local. Imaginar e dizer que não havia nenhuma condição de o jogo acontecer, ainda que no outro dia.
Vinte e quatro horas após os jogadores do Rio Branco sofrerem uma intoxicação alimentar, a ponto de precisarem ser atendidos numa unidade hospitalar, a situação orgânica deles ainda era, com certeza, lamentável. Nesse sentido, perder o jogo só por 2 gols a 1 foi um feito heroico. Foi sim!