Já morei (ou passei temporadas) em várias regiões brasileiras. Atualmente “amarro meu burro” no Sudeste, no para sempre lindo Rio de Janeiro. Mas já morei no Nordeste, na ensolarada Fortaleza. E também já morei no Centro-Oeste, em Brasília, a capital artificial do seu Juscelino.
Minha origem, porém, é no extremo ocidente da região Norte, acreano que sou de Brasiléia-AC. Pelo menos é o que consta no meu registro de nascimento, embora exista uma turma de gaiatos que garante que eu nasci em la banda de Cobija, pelas mãos de um ginecologista chamado Galindo.
Seja lá onde tenha sido, o certo é que passei a maior parte da minha vida de 69 anos (quase 70) em Rio Branco, a capital dos acreanos. E, provavelmente por conta disso, todos os anos eu me pego a torcer para que os times nortistas evoluam para as melhores divisões do futebol brasileiro.
É muito difícil que os times do Norte tenham protagonismo nas divisões mais avançadas, principalmente pelo fator financeiro. A capacidade de investimento dos times nortistas é ínfima em comparação aos clubes do Sudeste e do Sul. Capacidade menor, inclusive, à dos times do Nordeste.
Tanto isso é verdade que neste ano que ora já caminha para os estertores, somente uma equipe do Norte, no caso o paraense Clube do Remo, se encontra entre os bichos papões da Série A. Subiu para a elite no ano passado. Subiu e parece, infelizmente, que vai descer no ano que vem.
Nesse sentido, levando em conta todas as dificuldades, é que me causa imensa alegria testemunhar a subida de divisão (D para C) de um time do Norte do país, o que acaba de acontecer com o amazonense Nacional, depois de superar num duelo direto o alagoano CSA (3 a 0 na ida e 0 a 0 na volta).
Registre-se que o Nacional-AM foi um dos primeiros times do Norte a jogar a principal divisão do país, isso em 1972. O campeão nesse ano foi o Palmeiras, superando os outros 25 candidatos. O Nacional-AM terminou a competição em 21º lugar, vencendo quatro jogos e empatando dez vezes.
Dessas quatro vitórias do Nacional-AM, uma foi sobre o Corinthians-SP. Um épico para a turma que gosta de um jaraqui. Dois a zero, com ambos os gols de autoria do craque Campos, atacante que foi para Manaus emprestado pelo Atlético-MG. Partida disputada no Estádio Vivaldo Lima.
E se, por acaso, quiserem saber quem jogou pelo Nacional-AM nessa vitória, eu lhes digo já: Edson Borracha; Antônio Piola, Jurandir, Café e Almir; Mário Vieira e Jorginho; Ismael, Lacy (Danival), Campos e Reis. Treinador: Paulo Emílio. É isso aí. Avante rumo à eterna glória, Nacional!