Será estratégia do mister?

A vitória sem sustos da Seleção Brasileira nesta quarta-feira (24), diante da Escócia por 3 a 0 no fechamento da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026, não somente garantiu o primeiro lugar do Grupo C para o selecionado canarinho, como também trouxe esperança ao torcedor.

Muitos acreditavam em um jogo mais complicado para o time do mister Carlo Ancelotti, por se tratar de uma equipe europeia que havia eliminado a favorita Dinamarca durante as eliminatórias do Mundial. Porém, o que se viu durante praticamente toda a partida foi um Brasil dominante e controlador das ações diante de um adversário que apenas ameaçou em jogadas aéreas — algo que o Brasil precisará corrigir para não ser surpreendido por equipes que apresentam bons fundamentos nesse quesito.

Virando um pouco a chave — mas não totalmente —, vejo e escuto muitos analistas criticando ou elogiando o desempenho do time canarinho. Eu, como de costume, também coloco meu bedelho aqui e ali para analisar a participação brasileira no torneio. Ora concordo com Paulo Vinícius Coelho (PVC) ou com Juca Kfouri, dois grandes cronistas esportivos brasileiros pelos quais tenho admiração, principalmente o primeiro.

Lendo e escutando os dois jornalistas, noto que ambos falam da lentidão do time de Ancelotti. Enquanto Juca Kfouri diz que o Brasil joga em ritmo de “valsa” e não de “rock ‘n’ roll” como as favoritas, PVC — assim como a maioria dos analistas esportivos, incluindo a mim — faz coro com Kfouri e prega um estilo de jogo com mais rapidez nos passes e intensidade mais alta.

Independentemente das opiniões sobre os variados estilos de jogo, avalio que, para vencer uma Copa do Mundo, o pretendente ao título precisa realmente de um conjunto de estratégias, sem falar de uma boa dose de superação — são jogos seguidos, de muito desgaste físico e emocional para cada atleta. Pensando nisso tudo, lembrei que o próprio Carlo Ancelotti já disse que o Brasil conta com vários repertórios; ou seja, cada um deles será aplicado de acordo com a partida. Não sei se a estratégia do mister visa poupar o aspecto físico dos atletas canarinhos durante o torneio ou se é uma maneira de superar o adversário a cada jogo para alcançar o objetivo de trazer a taça do Mundial.

E ainda falando de estratégias — jogar com intensidade, rapidez e pressing (pressão) para tomar o controle da partida e, consequentemente, alcançar o posto de melhor seleção da Copa —, não sei se França, Estados Unidos, Holanda e Japão, entre outras (a Argentina tem uma característica um pouquinho diferente), terão fôlego suficiente para manter esse futebol intenso e de muito desgaste físico até a reta final da competição. Devem ser levados em conta o calor, as lesões e a idade (algumas estrelas dessas seleções competitivas estão acima dos 30 anos).

Para fechar a coluna, o Brasil chegou a 15 jogos sob o comando de Ancelotti. São nove vitórias, três empates e três derrotas (para Bolívia, Japão e França). Dos 33 gols marcados, seis foram pela direita, 17 pelo meio e 10 pela esquerda.