Vi por aí numa das diversas folhas de informação que eu consumo todos os dias que na próxima Copa do Mundo não vai haver nenhum treinador nascido no Brasil. Corri a vista pela lista e constatei que é isso mesmo. Mas, pra falar a verdade, não vi nada de mais nisso não senhor.
Levando-se em conta que a gente vive numa sociedade planetária, cada vez mais se diluem as fronteiras e qualquer um pode ir e vir, assim como todos podem exercitar os seus talentos aqui, ali e alhures (antiga essa, hein?). Ou não é bem assim e eu estou vendo miragens sob o escaldante sol carioca?
E além do mais, antes que alguém atire a primeira pedra, devo lembrar que nenhum treinador brasileiro vai à Copa do Mundo, mas existe um monte deles nascidos aqui no antigo “país dos papagaios” que exercem a sua profissão além-fronteiras. Se a gente for procurar, a lista até que é extensa.
Independentemente, porém, desse preâmbulo, o que eu quero lembrar mesmo nesse papo furado de hoje são os ensinamentos de alguns treinadores que eu conheci em anos que já vão longe na ampulheta do tempo e que trabalharam no futebol acreano. Professores de discursos bem peculiares.
Um deles, cujo nome eu não posso revelar sem a presença de um advogado, chegava para o armador do time, que era um cara de rara habilidade, mas que gostava de prender a bola em demasia, e dizia o seguinte: – Olha, fulano, acaba com essa mania de dar um pra frente e dois pra trás.
Outro desses treinadores de discurso pitoresco chegava para os ponteiros e dizia que eles não deveriam ir à linha de fundo para fazer o cruzamento. Em vez disso, eles deveriam correr com a bola no rumo da área, fazendo um gesto com o braço para exemplificar o que ele queria dizer.
Quando um dos ponteiros tentava traduzir a expressão e perguntava se era para fazer um movimento em diagonal, o treinador não escondia a contrariedade, passava a mão no rosto, negava balançando a cabeça lateralmente e repetia o gesto com o braço, dizendo: – Não, é assim mesmo!
E havia outro que, mediante a reconhecida superioridade do time adversário, na tentativa de dizer que os caras do lado de lá não eram imbatíveis, saía-se com as seguintes frases “motivacionais”: – Vamos jogar com fé que são onze contra onze! Ninguém lá deles tem três ovos não!
Por enquanto é isso, galera boa espalhada por todos os recantos desse ainda imenso país. Digo “ainda imenso” porque ando lendo por aí que tem uns sujeitos querendo subir a rampa do Planalto com o foco de entregar um pedaço de tudo para os americanos do norte. Tô fora! Vade retro, Satana!